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terça-feira, 17 de abril de 2012

O MEU CANTINHO SOLITÁRIO (3ª SÉRIE)


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A reciclagem chegou à arte, hoje muitas exposições são feitas com materiais reciclados. Fazer taças de decoração através de lamas de ETAR, desenhar malas de senhora com recurso a telas de publicidade já usadas, ou «transformar uma garrafa num casaco» são algumas das possibilidades que o lixo reutilizado oferece. O mercado de produtos reciclados está a infiltrar-se em Portugal e os resíduos que saem das nossas casas estão a ser reutilizados pela mão de alguns dos mais conhecidos artistas nacionais.
É muito positiva esta forma de aliar a arte à poupança de recursos.

Paulo Gonçalves

A TUA PALAVRA


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 20,19-31)
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.
Fonte: Bíblia Sagrada

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O CARACOL


Andava pachorrento e entediado, o caracol. O chuvisco, que tanto desejara, irritantemente, continuava a cair. As gotas, que das árvores escorregavam, produziam um som que lhe deixavam algo chateado. Tudo permanecia calmo demais. Nem das suas companheiras formigas, sinal havia. Olhou aborrecido para o céu com ar bem chateado e resolveu subir por um verde tronco de um vulgar caniço igual a tantos outros, muito embora este lhe parecesse mais elevado, ou não fosse tão sério o assunto que tinha para tratar com aquela nuvem tão chata.
Lá foi subindo a passo de caracol e muito esmerado em bater um recorde, dada a urgência que advinha da situação.
Chegado ao topo, olhou para o céu e não se deteve em contemplações.
- Olha lá ó nuvem, não achas que já basta?! – Interrogou demonstrando todo o seu desagrado, ao que a nuvem respondeu…
- Já basta o quê?
- De pingo mais pingo. Já chega! É que não passa disto. Porque não te vais embora e nos descobres o sol?
- Ora! Ora! Primeiro pedias chuva e agora queres sol, afinal o que queres, sol ou chuva?
- Não sejas parva. Já há dias que pairas sobre nós e tudo o que é demais enjoa.
- Qual é o teu problema?
- O meu problema é a solidão. Por causa dos teus pingos ninguém sai dos seus abrigos e eu não tenho com quem falar. De resto já aborrece ver tudo sempre tão molhado.
- És um caracol diferente dos outros. Até pareces humano!
- Humano?! Porque motivo, me fazes essa traumatizante comparação?
- É simples meu caro! Nunca estás satisfeito com nada. Se não chove, é porque não chove! Se chove é porque chove! Nunca estão satisfeitos com nada, mesmo que esse nada seja o melhor para eles. Sabes, estes seres nunca percebem nada e tudo para eles é complicado e sinónimo de insatisfação e infelicidade. Nunca dão valor ao que a vida contém.
O olhar do Caracol deixava agora, transparecer alguma desconcertação.
- E tu achas que eu sou assim?
- De certa forma sim! Não estás a entender o meu papel, a minha missão.
- Sim, já percebi!
- Estou aqui o tempo que for preciso. Tenho que regar os campos e esperar pelo vento pois é ele que me vai transportar para outro lugar. Por acaso achas que eu também não me aborreço de permanecer tanto tempo por aqui?
O Caracol baixou a cabeça envergonhado.
- Nunca tinha pensado nisso.
- Pois, eles também não pensam. Logo que venha o vento partirei e vos deixarei o sol.
- Sabes, agora acho que já desejo que fiques. Conversaste comigo, fizeste-me companhia e isto já não será o mesmo sem ti.
- Não te preocupes, volto sempre nos Invernos e colocaremos a conversa em dia.
De repente os caniços abanaram. O vento levantara-se. O sol começou a romper.
O caracol olhou de novo para a sua amiga que lhe gritava.
- Adeus amigo. Chegou a hora da partida, vou conhecer outros lugares. Gostei de te conhecer. Tem cuidado e fica sempre feliz. Volto no próximo Inverno.
- Adeus amiga. Fico à tua espera.
A tristeza tinha sido compensada pela certeza de ter ganho uma amiga.
Muitas vezes achamos que tudo está mal, mas onde o mal está poderemos sempre encontrar algo de bom. A procura da felicidade é sempre ambição humana, no entanto é sempre tão difícil reconhece-la em nós e no que a vida nos oferece. Talvez seja um mito ou talvez seja ignorância nossa.
Talvez…Talvez…

Paulo Gonçalves

segunda-feira, 9 de abril de 2012

LEMBRANÇAS


Capitulo 6

Recordo, com muita saudade, os meus tempos de infância. Momentos de felicidade, entusiasmo e sonhos. Muitos desses momentos foram vividos no Circo. Felizmente os meus pais tiveram a sensibilidade para me levar, por diversas vezes, a este magnifico espectáculo. Eu vibrava de felicidade com os palhaços, mágicos e trapezistas e foi mais uma vez, com este intuito que levei o meu filho, ao circo “Richard Bros” que esteve em Peniche de vinte a trinta de Agosto de 2009. O espectáculo foi magnífico, deslumbrante, o meu filho e nós adorámos. A qualidade artística, o bom gosto, o muito movimento, som, luzes e originalidade da ideia foi deslumbrante. É sem dúvida um novo conceito de Circo que atrai muito mais. Um sonho que se pode realizar. O amor e alma com que é feito merece apoio a todos os níveis. É urgente dignificar quem dá tudo de si, com alma e coração. Saí do circo com vontade de ir, de novo, no dia seguinte. Muitas vezes me emocionei, senti-me de novo criança e confirmei o meu deslumbre pelo circo. É único sentir de novo a nossa infância e todas as suas vivências, tesouros das nossas vidas, nos quais, entre os mais preciosos, está o nosso tão querido circo. Não o deixemos morrer. O espectáculo chamava-se sonhos e retratava a vida de um palhaço que sonhava trabalhar num circo e o sonho tornou-se realidade. Como dizia o poeta o sonho comanda a vida. Que Deus vos ajude e que voltem a Peniche.

Paulo Gonçalves